Sexta, 10 de Setembro de 2010

 

 


 


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Conflito Ambiental: o caso da Palestina

Autor: SINAI, Agnes; et al. Conflito Ambiental:

 


No Oriente Médio, a ameaça à paz, não resulta apenas da disputa territorial, mas também a poluição de um espaço comum que acabará por punir ambos os povos.

Os israelenses controlam os recursos hídricos da região, como os palestinos, não têm acesso ao rio Jordão, são obrigados a conseguir uma autorização para construir seus poços, sem ultrapassar 140 metros, já os israelenses podem cavar até 800 metros. Essa dominação permite ao Estado judaico explorar 82% do lençol freático que se estende sob Cisjordânia e Israel. O resultado é que os palestinos consomem, em média, 60 litros, contra 300 litros dos israelenses. Por isso, a água se tornou uma das principais causas de indignação palestina.

Em médio prazo, essa superexploração trará conseqüências desastrosas. O lençol freático da costa israelense e da Faixa de Gaza já poluído por fertilizantes agrícolas, baixa 15 centímetros ao ano, possibilitando infiltrações freqüentes da água do mar e provoca diminuição da espessura do solo. Há o risco também de contaminação pelo despejo de águas não tratadas e infiltração de substâncias tóxicas. As fontes de poluição são israelenses e palestinas, mas é a ocupação que impede sua diminuição. 

Em Israel o esgoto não tratado é despejado na natureza. Houve projetos para mudar esse quadro, mas inúmeros parceiros estrangeiros desistiram de financiar tais infra-estruturas, pois era impossível atravessar materiais ou operários pelos pontos de controle fronteiriços sem a autorização de Israel.

Poucos se dão conta dessa situação trágica, o meio ambiente alheio parece sem importância. Isso explica o silêncio de muitos israelenses quando o governo decidiu, em 2002, erguer um muro na Palestina. Todos sabiam das conseqüências desastrosas sobre o meio ambiente. Nessa questão, como em tantas outras, a obsessão com o conflito impediu qualquer debate nacional.

Entretanto, recentemente, uma estranha coalizão emergiu, reivindicando que o muro não fosse construído no deserto da Judéia, mas não por motivos ecológicos, e sim porque a região se tratava de uma grande importância bíblica.

Afinal, o que está em jogo não é lutar para proteger o meio ambiente dos palestinos, pelo contrário, trata-se de destruí-los a fim de obrigá-los a abandonar a região.

Em 1948, após a catástrofe e a criação de Israel, antigos vilarejos palestinos foram transformados em parques naturais: uma forma de se reapropiar e de reiventar um ambiente que pertencia a outro povo. Esse processo continua hoje em dia com a destruição disto que constitui a identidade palestina – a agricultura, as oliveiras e a paisagem.


Fonte: SINAI, Agnes; et al. Conflito Ambiental: o caso da Palestina. Atlas do Meio Ambiente: Lê Monde diplomatique Brasil. Posigraf Gráfica e Editora S/A, Curitiba, PR.  ISBN: 978-85-7561-42-8. p. 26 e 27.

 
 

 
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