A confissão de Pedro, narrada no evangelho de Mateus, assinala o momento definitivo e decisivo na vida pública de Jesus de Nazaré. A partir daquele momento, somente permanecerão com ele aqueles que acreditam ser Ele o ungido (“Messias”) de Deus. Está descartada a figura de um rei nos moldes de Davi, restaurador do poder e da independência do povo de Israel, e revelada a figura do Messias, “servo sofredor de Jahweh”, conforme a misteriosa previsão do profeta Isaías. Somente uma especial iluminação do alto (não foi um ser humano que te revelou isto) seria capaz de afastar, de vez, da mente dos discípulos o projeto de triunfo e de poder por eles acalentado diante da multiplicação dos pães. Por sua vez, Jesus revela a Pedro o seu projeto para o futuro de sua comunidade, ou seja, constituí-lo fundamento e ponto de convergência, pela presidência na caridade: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.
Nos seus plenos secretos, o Cristo conservava ainda algo a ser revelado, no futuro, quando chegasse o momento oportuno. Havia necessidade de ampliar a mensagem do Evangelho para além dos restritos limites do povo judeu. O escolhido era o fariseu fanático, discípulo da Gamaliel. Na porta de Damasco ele ouviu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues! (At 9,5) “...e logo Saulo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus” (At 9,20). Com a confissão de Pedro e a conversão de Saulo, estava garantida a expansão do Evangelho, através de uma Igreja unida e atuante, tornada fermento de um mundo novo.
Mas hoje celebramos o martírio de Pedro e Paulo, na Roma de Nero. O único testemunho válido, capaz de mudar mentalidades e comportamentos em uma sociedade corrupta e corruptora no padrão do mundo greco-romano, era o testemunho (martyr) do sangue. Pedro é crucificado, de cabeça para baixo, repetindo que Jesus é o Filho de Deus. Paulo tem sua cabeça cortada, repetindo que “Jesus é o Senhor (kyrios)” (Fl 2,11).
Ambos combateram o bom combate, completaram a corrida, conservaram a fé. Com justiça são coroados com a coroa da justiça que o justo juiz lhes deu.