No dia 22 de julho a Igreja celebra Santa Maria Madalena. Santa muito conhecida, mas pouco venerada pelo povo brasileiro. Basta lembrar que nesta Capital não existe ainda igreja a ela dedicada. Por muitos ela é chamada de j”apóstola dos Apóstolos”. O diálogo entre Jesus ressuscitado e Maria Madalena nos convida a nutrir nossa busca de Deus pela tomada de consciência da presença do Cristo em nós. De fato, ela foi a primeira a ver o Ressuscitado e a receber dele missão de anunciá-lo aos seus irmãos. Não é possível nos retermos nos diversos e numerosos aspectos das tradições ricas e complexas referentes à sua pessoa. Entretanto, o evangelho (Jo 20,11-18) conservou em sua honra uma atitude interior que pode alimentar a nossa busca de Deus e estimular nossa oração. O encontro acontece em um ambiente de jardim, quadro muito utilizado pela Bíblia, para situar encontros de intimidade com Deus. Entre outros exemplos, lembremos o Éden, o jardim das origens, no qual Deus se faz íntimo de sua criatura, numa notável simplicidade e onde acontece a queda (Gen 2 e 3). O jardim do Cântico dos Cânticos, para onde desce o esposo (Ct 6). O Jardim do Getsêmani (Mc 14,32-50), onde o Cristo, em sua humanidade, aceita ser a nossa salvação ao preço de sua vida. Jardim do sepultamento e do grande repouso (Jo 19,4)...
Um monge da Idade Média, que se deixou fascinar por esta cena em que Maria de Mágdala se vê na presença de Jesus ressuscitado, amplia de maneira admirável as palavras que Ele dirige àquela mulher: “Por que choras? O que procuras? Tu possuis Aquele que procuras e tu ignoras isto? Tu possuis a alegria verdadeira... e choras? Tu possuis dentro de ti o que procuras fora... Tua alma é meu túmulo, e eu repouso nela, não morto, mas vivo para eternidade; o teu espírito é meu jardim... Como novo Adão, eu me ocupo com cuidado do meu paraíso”.
Este episódio é um insistente convite para nos concentrarmos na presença atuante do Cristo em nós – presença vivida na fé, mas percebida também de modo mais sensível. Isto supõe deixar-se conduzir para este jardim interior pela Escritura e pelos sacramentos. Só então estaremos em condição de entender que tudo que faz nossa vida pode ter sabor, descobrir que um a renovação é possível mesmo onde a solidão, o sentimento de ausência, o luto, a morte nos ferem. É preciso sempre procurar o Cristo com a tenacidade de Maria.
Compete a cada indivíduo escolher como aproveitar o seu tempo de vida: conservar-se no superficial ou habitar no seu próprio jardim e “nele beber da água do seu próprio poço”.
(Pr 5,15).